População teme que emaranhados de fio provoquem riscos à saúde

por Redação JB Litoral
01/10/2020 23:13 (Última atualização: 04/10/2020)

Muitos bairros em Paranaguá têm fios soltos em postes

Por Gabriela Vizine

Emaranhados de cabos soltos e inutilizados, existentes nos postes de luz distribuídos em Paranaguá, têm sido alvo de discussão no município. Além das reclamações a respeito da geração de poluição visual, moradores temem que os fios proporcionem riscos à população. O cenário se espalha pelos bairros e região central da cidade.

De acordo com o morador Jonatas Santos os cabos de telefonia que estão soltos em um poste no Centro Histórico, um dos locais mais movimentados do município, chegou a servir como varal de roupas para andarilhos que dormiam em frente a um estabelecimento comercial. “Alguns moradores de ruas estenderam suas roupas nestes fios soltos em frente a uma loja de artigos, formando um varal de roupas no meio da cidade”, comenta.

Com a proposta de conter o amontoado de fios, a Câmara de Vereadores de Paranaguá aprovou, em agosto, o Projeto de Lei (PL) Municipal nº 5462/2019 o qual determina que a concessionária de serviço público de distribuição de energia elétrica, a Companhia Paranaense de Energia (Copel), deve retirar os fios de luz inutilizados dos postes da cidade. Além disso, o PL obriga a empresa a notificar as demais que utilizam os postes como suporte de seus cabeamentos em vias públicas.

O projeto, em seu artigo 2º, também obrigada a Copel a tomar todas as medidas necessárias em face de empresa ocupante para a retirada dos cabos inutilizados, bem como a remoção de feixes de fios depositados nos postes, como forma de reduzir os riscos de acidentes e atenuar a poluição visual.

Segundo o eletricista Marcio Berthis Pereira, os cabos soltos podem oferecer riscos à população por estarem próximos a outros fios com energia.  “Pode ocorrer choque por uma possível indução magnética, fluxo magnético por um condutor, ou pelo contato com partes elétricas vivas. Além disso, acidentes com escadas e raios. Mesmo os fios de telefone e internet têm esse risco, pois são condutores de eletricidade”, revela.

Encaminhado para a sanção do prefeito Marcelo Roque (Podemos), no dia 11 de agosto, o projeto ainda não foi aprovado.

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O que diz a Copel

De acordo com a Copel, que atua na distribuição de energia e telecomunicações em todo o Estado, o compartilhamento de estruturas dos postes segue as disposições de regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), reguladoras dos serviços, com apresentação de projeto e celebração de contrato atribuindo responsabilidades aos ocupantes. “Cabe a eles manter em condições de segurança as suas redes e dentro da regulamentação da ABNT, via NBR 15688, que dispõe da altura dos cabos (5 metros na travessia de ruas e avenidas)”, informa.

Já sobre os cabos de telefonia e internet, a Companhia disse que notifica as operadoras de telecomunicações para que os retirem. No entanto, não respondeu aos questionamentos realizados pelo JB Litoral sobre a possibilidade de uma maior frequência na fiscalização e vistorias desses cabos e, também, sobre os riscos oferecidos aos moradores.

Operadoras no Litoral

A única operadora de internet que respondeu às perguntas enviadas pela equipe de jornalismo foi a Claro NET Internet, que informou que obedece a rígidos padrões de segurança na operação de suas redes e possui uma rotina de manutenção preventiva e adequação do cabeamento nas ruas das cidades.

A empresa também acrescentou que, no caso da existência de fios soltos ou de rompimento dos cabos, orienta aos moradores da cidade a acessar o site da Claro e informar a situação. “Além disso, a empresa segue os padrões técnicos da concessionária de energia elétrica, responsável pelo aluguel dos postes”, informou.

Já as operadoras Caiobá Telecom, Multicom Internet Banda Larga e Copel Telecom não responderam aos questionamentos.

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