Prefeitura não possui equipe técnica de monitoramento para Área de Preservação Ambiental

por Redação JB Litoral
22/07/2020 12:14 (Última atualização: 22/07/2020)

O objetivo da parceria é conscientizar a população local para a importância da preservação tanto dos animais como do ambiente natural.

Instituições governamentais ambientais federais e ONGs fazem o acompanhamento da região

Ainda uma das áreas intocadas pela mão do homem, a reserva de Guaraqueçaba guarda um dos ambientes com mais diversidade da fauna e flora brasileira, se destacando por ser um abrigo para várias espécies ameaçadas na natureza. Criada em 1985, a Área de Preservação Ambiental (APA) de Guaraqueçaba tem uma extensão de pouco mais de 3 mil km, com uma população de quase 8 mil habitantes.

Além das características ambientais, a região também é considerada um importante patrimônio natural e cultural, representado por pescadores e agricultores que preservam a tradição caiçara, inclusive nas práticas de uso dos recursos naturais. Contudo, o que há em abundância em extensão continental, falta na capacitação de pessoas dentro da própria região para fazer o trabalho de monitoramento da área.

Pelo menos, é o que diz o secretário municipal do meio Ambiente, Ivair Barbosa. “Falta equipe técnica para monitorar a APA, a prefeitura não consegue ao menos acompanhar o que está sendo feito na região por falta de gente qualificada”, disse.

De acordo com Barbosa, a proteção ambiental e o monitoramento dos animais, incluindo dos macacos que são os “sentinelas” para a febre amarela (os animais adoecem com a picada do mosquito portador da infecção), ficam a cargo de instituições governamentais ambientais federais e das Organizações Não Governamentais (ONGs).

ANIMAIS ENDÊMICOS

A Ilha de Superagüi pertence ao município de Guaraqueçaba e, hoje, é um dos poucos pontos brasileiros declarados como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Além da grande variedade de plantas nativas, a ilha é o lar de animais ameaçados de extinção. Atualmente protegidos por rígidas leis ambientais, os exemplares, que ainda restam, tentam sobreviver às ameaças impostas pelo homem. Um deles é o mico-leão-da-cara-preta, um animal raro e que só foi descoberto nos anos noventa, quando já estava ameaçado de extinção.

Outra espécie, que habita a região e que também corre o risco de desaparecer, é o papagaio-de-cara-roxa, conhecido como papagaio chauá. Esta ave encontrou, na região, o lugar ideal para se reproduzir e se proteger.

Uma das observações que anima os pesquisadores é o Guará, o qual já esteve ameaçado de extinção e voltou a ocupar a localidade. Hoje, é possível ver muitos berçários e revoadas de guarás em várias partes ao redor da Ilha.

PARCERIAS

Para que estes animais não desapareçam completamente da região, a ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) realiza um trabalho de monitoramento, conservação e proteção das espécies endêmicas.

O principal objetivo desta parceria é conscientizar a população local para a importância da preservação tanto dos animais como do ambiente natural. “Hoje, com o nosso trabalho, é muito raro termos notícia de filhotes capturados no Paraná. Estamos sempre conversando com crianças e adolescentes sobre a importância da conservação das espécies locais e isso tem se refletido em nossas pesquisas de campo”, enfatizou Elenise Sipinski, coordenadora do Projeto de Conservação do Papagaio-da-cara-roxa da SPVS.

De acordo com Elenise, após a parceria com os moradores locais, a população de papagaios-de-cara-roxa subiu de 5 para 9 mil animais. Um número bem considerável para uma espécie que estava quase em extinção.

A coordenadora do projeto acredita que só há continuidade neste projeto porque existe a participação da comunidade das ilhas. “É um trabalho realizado a longo prazo com várias pessoas e cada um fazendo a sua parte para manter tudo aquilo ainda vivo”, declarou.

AUSÊNCIA DO ESTADO

A reportagem do JB Litoral entrou em contato com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e questionou a respeito da presença do Governo do Estado na região com relação ao monitoramento dos primatas.

Em resposta, a SEMA informou que “o Instituto Água e Terra (IAT) atende os macacos que são encontrados vivos. E em caso de sucesso na recuperação, o animal é destinado em área apropriada após alta médica. Fazemos o monitoramento dos macacos dentro das Unidades de Conservação Estaduais”.

Ainda de acordo com a SEMA, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) faz todo o atendimento de resgate dos animais e mapeamentos dos locais, mas não soube informar se o trabalho de monitoramento acontece na região de Guaraqueçaba.

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