Prefeitura promete levar ônibus escolar até residências dos alunos em Bromado

A rotina de encarar búfalos, cobras e uma caminhada de cinco quilômetros de 12 alunos na comunidade rural do Bromado, pode estar com os dias contados, segundo o Prefeito Ariad Junior

por Redação JB Litoral
26/08/2017 21:38 (Última atualização: 26/08/2017)

OLHO D'ÁGUA DO CASADO (AL), 21.11.2016 - Ônibus escolar usado em assentamento do MST, no município de Olho D'Água do Casado, na região do Vale do São Francisco, em Alagoas. Foto: Adolfo Santos Sonteria/Folhapress

Diante da preocupação diária de ver 12 crianças, entre elas, seus filhos, que estudam na Escola Municipal de Tagaçaba, distante 18 quilômetros da comunidade onde residem, no Bairro Bromado, caminhar cinco quilômetros para chegar até o transporte escolar, a dona de casa, Eliane Laufer, mais conhecida por Eli do Potinga, denunciou a situação vivida há anos na cidade de Guaraqueçaba.

No trajeto as crianças se deparam com cobras, inclusive jaracuçu, búfalos soltos pela estrada e passam por três rios até o acesso ao ônibus escolar.

Procurado pela reportagem, o Prefeito Hayssan Colombes Zahoui (PMDB), o “Ariad Júnior”, falou que a prefeitura deslocou uma equipe para acompanhar e buscar a melhor solução para este caso, que já existe há anos, como frisou a dona de casa na semana passada. Ele esclareceu que a proposta de fazer a contratação de um morador da região que pudesse efetuar o transporte, não foi possível, por falta de alguns documentos por parte do contratado, exigidos pela legislação em vigor.

“Estamos estudando outra forma de solucionar esta situação”, assegurou o prefeito.

De acordo com Ariad Junior, o caso do transporte escolar de Bromado continua inalterado, com o ônibus escolar fazendo o mesmo trajeto que faz há anos. “Estamos estudando uma forma de facilitar o acesso do ônibus até as casas dos alunos daquela região”, prometeu o gestor. Entre as providências que serão tomadas para garantir o transporte escolar às crianças daquele bairro, ele destaca o fato de a cidade ser bastante extensa e, por muitas vezes, os ônibus escolares são impedidos de seguir adiante por conta dos diversos obstáculos que a natureza impõe. “Este caso vem sendo estudado com veemência, e uma das providências será a de melhorar os obstáculos, tornando possível o acesso do ônibus escolar até a residência dos alunos e acabar de vez com o descaso que vem há anos assombrando os alunos desta e das demais regiões”, finalizou Ariad Junior.

 

Entenda o Caso

Sem transporte escolar crianças enfrentam perigos no trajeto às aulas

Conviver com a preocupação diária de 12 crianças que estudam na Escola Municipal de Tagaçaba, distante 18 quilômetros da comunidade onde residem, no Bairro Bromado, é o drama da dona de casa Eliane Laufer, mais conhecida por Eli do Potinga, na cidade de Guaraqueçaba desde 2015.

Ela conta que o ônibus escolar passa apenas na estrada principal do município e que fica há cinco quilômetros daquela comunidade rural e, para chegar até ela e pegar o transporte escolar, precisam fazer esta caminhada todos os dias.

Neste trajeto as crianças estão sujeitas a se deparar com cobras, inclusive jaracuçu, búfalos de uma propriedade que ficam soltos pela estrada e chegam a avançar nas pessoas, passam ainda por três rios até alcançar o ponto do transporte escolar. Existem ocasiões ainda que, mesmo depois de toda esta maratona, o ônibus não passa e as crianças são obrigadas a fazer todo o trajeto de volta, sem ter assistido uma aula sequer.

No caso dos búfalos, a moradora explica que eles ficam soltos na estrada, porque o proprietário dos animais, Luis Antonio Sebold, não tem o cuidado de fechá-lo em pastos. “Eles destroem propriedades e plantações e oferecem risco constante para quem passa pela estrada. Esta dificuldade está cada vez maior, porque estão com fome, doentes e agressivos”, denuncia Eli do Potinga.

Eleita em 2015 como representante dos pais no Conselho Escolar, com sua formação em processamento de dados, desde então Eli luta pela inclusão social e atua como voluntária em ações sociais, voltada ao bem-estar da comunidade, entre elas a da extensão do transporte escolar até o Bromado.

Nunca houve transporte escolar

Assim que chegou na cidade, há mais de dois anos, Eli do Potinga, disse que iniciou sua luta pelo transporte na gestão anterior e, em 2015, fez um acordo de serviência de passagem com a Ex-prefeita Lilian Ramos Narloch (PSDB) disponibilizando seu terreno para fazer uma estrada e uma ponte, mas nada foi realizado durante toda a gestão. A situação foi levada ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e, atualmente, até a atual gestão do Prefeito Hayssan Colombes Zahoui (PMDB), o “Ariad Júnior”, assim como a do Prefeito interino, Abelardo Sarubbi (PTB), estão cientes das Recomendações Administrativas determinadas pelo MPPR que ainda não estão sendo cumpridas.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Neste ano, ela recebeu a visita do Vice-prefeito José Teófilo Vidal Lopes, o Zito, junto com a Secretária de Educação, Conselho Tutelar, Defesa Civil e engenheira da prefeitura municipal, que se comprometeram em providenciar transporte escolar com urgência até o início do ano letivo, mas nada aconteceu.

 

De acordo com a moradora o transporte escolar deveria estar sendo ofertado até o dia 8 de março com o ônibus na porta de casa.

Por conta desta situação, explica Eli, na semana retrasada as crianças ficaram uma semana sem aulas, por problemas com a escola e assiduidade dos professores, além de questão mecânica nos ônibus e, quando funcionavam, era o motorista que faltava ao serviço.

Ao se inteirar sobre esta situação no município, a moradora descobriu que, antigamente, existiam várias escolas na cidade, uma em cada comunidade, como a Escola Municipal do Cedro, que atendia toda a região, uma na sede da Igreja Batista no Bairro do Potinga, a Escola Municipal do Tagaçaba de Cima e a de Serra Negra.

“Todas tinham boa estrutura, desde internet, computadores, Projeto de Inclusão Digital do MEC, freezer, geladeiras fogão industrial, mas todas estas coisas desapareceram e ocorreram até roubo de merendas”, disparou Eli do Potinga que vem sofrendo retaliações ao denunciar todos estes abusos.

A moradora espera que, com a nova gestão sob o comando do Prefeito Ariad Junior, a situação consiga ser solucionada. “Minha bandeira é em defesa de nossas crianças, nossos moradores e nossa comunidade. Não queremos guerra com ninguém, apenas sermos atendidos em nossas necessidades básicas”, desabafa a representante dos pais do Potinga.

 

 

 

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