Prefeitura reabrirá para o turismo com agendamentos, nesta sexta-feira (07)

por Redação JB Litoral
05/08/2020 11:45 (Última atualização: 05/08/2020)

O número de visitantes não poderá ultrapassar 3.770 pessoas. Foto/Prefeitura de Morretes

O município de Morretes vai começar, aos poucos, a retomar a sua rotina turística e o primeiro passo já foi dado. Em uma ação conjunta com o Ministério Público do Paraná (MPPR), a prefeitura autorizou o retorno dos visitantes aos tradicionais passeios de final de semana. A decisão foi embasada nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de especialistas no combate à epidemia do novo coronavírus, a Covid-19.

Para que eles tenham acesso à infraestrutura de atendimento que o município oferece, antes de saírem de casa deverão fazer a reserva, ou a compra do passeio ou serviço, diretamente com o estabelecimento que pretendem frequentar. Em seguida, acessar o site www.morretesdestinocerto.com.br e preencher um cadastro para gerar o QR Code, que será apresentado na barreira sanitária na entrada da cidade.

A finalidade da ferramenta é auxiliar os gestores públicos no controle do fluxo de pessoas e realizar um rastreamento de quem passa pela cidade, caso haja alguma suspeita de contágio do vírus. O número de visitantes não poderá ultrapassar 3.770 pessoas com acesso restrito, destino certo e cronograma definido, apenas nas sextas, sábados e domingos, dias designados para receber os turistas. Com todas essas medidas, o controle será rigoroso, e sem o QR Code o turista não vai poder entrar na cidade.

EXPECTATIVAS E QUALIFICAÇÕES

O diretor municipal de Turismo, Orley Antunes Júnior, disse que ainda não há como prever qual será a aceitação das pessoas diante dessa nova realidade. “Ainda não há como ter uma expectativa sobre o movimento a partir dessas medidas. Será muito difícil retomar o movimento com essas condições porque não sabemos como está a pretensão, por exemplo, dos curitibanos em querer viajar. É preciso ter paciência e saber esperar”, declarou.

Desde março, quando as atividades foram suspensas, a administração pública acredita que já amargou um prejuízo de aproximadamente R$ 8 milhões. Contudo, para o diretor de turismo isso fez com que as pessoas que trabalham no comércio local e atendimento ao público buscassem novas maneiras de sair da crise. “Morretes é uma das cidades turísticas mais qualificadas para enfrentar a pandemia, o setor se reinventou e se especializou para este momento. Estamos preparados para receber aqueles que queiram voltar à cidade de braços abertos”, resumiu o diretor.

Conforme um levantamento realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a população morretense é formada por 40% de pessoas economicamente ativas que dependem direta ou indiretamente do turismo. Essa perda também gera impacto na arrecadação de impostos do município, principalmente de Imposto Sobre Serviço (ISS). “De forma indireta, todos dependem do turismo, porque a economia recebe uma injeção grande desse setor há muitos anos. A interrupção das atividades impacta bastante a cidade”, comenta o presidente do Morretes Convention & Visitors Bureau, Lourenço Malucelli.

OUTRAS CIDADES

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A visitação por agendamento já existe em outras cidades turísticas do Brasil como Foz do Iguaçu, no Paraná, e Gramado, no Rio Grande do Sul. Por determinação dos decretos estaduais e municipais de cada região, a lotação dos hotéis e restaurantes ainda é limitada, dependendo do estabelecimento pode variar de 20% a 50% da capacidade máxima. Outras medidas de segurança já determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para tentar conter a proliferação do vírus, também continuam valendo, como o uso do álcool 90% e das máscaras.

De acordo com Orley Antunes Júnior, com a abertura gradativa de Morretes, a economia tem chance de reacender e, com isso, outros setores também possam ter essa boa perspectiva. Segundo ele, nas regiões pioneiras desse método, o fluxo financeiro já começou a aparecer. Conforme dados da Autarquia de Turismo e Cultura de Gramado (Gramatur), a cidade do Rio Grande do Sul é um dos exemplos, após a reabertura do turismo no final de abril, a ocupação da rede hoteleira registrou progressivamente percentuais de 10%, 16%, em maio, e 20% em junho respectivamente. A expectativa da Gramatur seria alcançar 30% em julho, embora algumas restrições de um possível aumento no número de casos possa retardar o crescimento.

BUSCANDO EQUILÍBRIO NAS CONTAS

A Prefeitura e o Morretes Convention & Visitors Bureau lançaram, no início do mês passado, a campanha “Morretes Destino Certo”, que teve a intenção de proteger a saúde da população como saída para a retomada da economia. A iniciativa reforçou medidas já regulamentadas pelo município, como obrigatoriedade do uso de máscaras, proibição de aglomerações e outros protocolos rígidos de distanciamento social, além da fiscalização com barreiras sanitárias. A prefeitura também pediu a colaboração da população para que compreendesse o momento crítico e acolhesse a campanha naquele momento.

Na época, Tatiana Perim, que é empreendedora do setor do turismo na região, concordou com as medidas cautelares e com a urgência do momento que pedia a conscientização para evitar medidas mais drásticas e a breve retomada do turismo e comércio local. “É imprescindível que toda a população adote as medidas preventivas para evitarmos um avanço acelerado da doença. O quanto antes contermos os índices na cidade, mais rápido poderemos pensar na reabertura cautelosa do turismo, que é uma das principais fontes de renda da região”, destacou.

QUEDA NA RECEITA

Desde o dia 09 de abril, quem não tinha residência fixa no município ficou impedido de entrar por conta das barreiras sanitárias adotadas para tentar conter o contágio da Covid-19. Essa medida impactou o setor turístico local entre os meses de março e junho.

Em todo o Paraná, a pandemia também registrou grande queda econômica no setor turístico. De acordo com uma pesquisa realizada pela Paraná Turismo, dos entrevistados envolvidos diretamente no ramo, 50,6% apontam que as restrições impostas pelo surto da Covid-19 vão impactar até 75% da receita em 2020.

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Desde abril, quem não tinha residência fixa no município ficou impedido de entrar por conta das barreiras sanitárias

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