Produtores rurais põem alimento de qualidade na mesa do parnanguara

Com incentivos e parcerias, a agricultura familiar ganha espaço de destaque nos mercados de grande porte da cidade

por Redação JB Litoral
28/07/2020 19:23 (Última atualização: 30/07/2020)

“O agricultor, antes de qualquer outra coisa, é um teimoso, precisa persistir”. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Por Andresa Costa

Comida boa na mesa, esse é o propósito da agricultura familiar, que durante tanto tempo foi ameaçada pelo crescimento econômico e tecnológico. Mesmo assim, os produtores rurais das Colônias do Litoral Paranaense continuam lutando para manter viva a tradição dos seus antepassados.

A agricultura, nessa região, é bem diversificada, como o cultivo da mandioca, banana, arroz e hortaliças, produtos de origem da mão de obra familiar. Outros alimentos de panificação como pães, bolos, tortas, biju e farinha de mandioca também são produzidos nas cozinhas rurais. Tudo o que é plantado ou fabricado nas Colônias, os produtores comercializam nas feiras da cidade. Foi com esse intuito que surgiu a Feira da Catedral, em 1991, a qual reunia apenas seis cultivadores da Colônia Maria Luiza.

Este tradicional ponto de encontro e comércio de frutas e verduras, de todas as manhãs de sábado, foi idealizado pelo padre José Miguel Pereira, da Catedral Diocesana de Paranaguá e teve como um dos fundadores o produtor rural, Darci Pereira.

Com poucos produtos, os colonos traziam o que produziam ao longo da semana para tentar adicionar uma renda extra no mês. Com o tempo, vieram os incentivos e as parcerias, e hoje, já são mais de 150 membros da Associação dos Produtores Rurais do Município de Paranaguá (APRUMPAR), da qual o seu Darci é presidente.

O agricultor vem de uma longa descendência de homens ligados à terra em Nova Prata do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná, e encontrou no Litoral do Paraná o lugar ideal para dar continuidade ao legado da família. No seu sítio em Alexandra, ele cultiva mais de 20 variedades de alimentos, sempre se adaptando ao clima e ao tipo de solo. “Aqui a terra é boa, mas é preciso respeitar a época para plantar. Cada legume, cada verdura, tem a sua época certa e é preciso saber esperar para colher um bom produto”, disse.

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Programa incentiva a entrega de alimentos das cooperativas de agricultores familiares para 907 entidades socioassistenciais no Paraná. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

Com trabalho duro e muita força de vontade, ele conseguiu profissionalizar a sua produção e, atualmente, é o fornecedor principal dos legumes e verduras da Rede de Supermercados Condor, de Paranaguá. Agora, incentiva outros como ele a seguirem o mesmo caminho. “O agricultor, antes de qualquer outra coisa, é um teimoso, precisa persistir”, contou.

A história do produtor rural não é diferente de tantos outros dessa região. É assim, desde o início da Colonização no Litoral do Estado, quando foi desenvolvida a agricultura pelas mãos dos imigrantes italianos, alemães e poloneses. A habilidade de cuidar do solo e fazer brotar o alimento foi passada de geração para geração e cresceu tanto que a zona rural do município de Paranaguá, hoje, abriga sete colônias agrícolas, ao longo da Rodovia Alexandra/Matinhos na PR-508. São elas: Pereira, Maria Luiza, São Luiz, Quintilha, Santa Cruz, Morro Inglês e Alexandra. A Colônia Pereira também ocupa parte da área territorial de Pontal do Paraná.

COMUNIDADES EM PARANAGUÁ

A Colônia Alexandra, conhecida pela concentração das atividades industriais, pela proximidade com a área urbana, é um local estratégico por onde ocorre o escoamento da produção para a BR 277 e o porto de Paranaguá. A Colônia Pereira está sob a administração de Paranaguá e Pontal do Paraná, enquadrando-se na Zona de Desenvolvimento Diferenciada, proposta no Zoneamento Ecológico Econômico do Litoral do Paraná, voltada para a expansão urbana e o crescimento dos empreendimentos portuários.

Já as Colônias Maria Luiza, São Luiz e Quintilha detêm áreas limítrofes ao Parque Nacional Saint Hilaire/Lange (PNSHL) e sofrem restrições ambientais para o corte de vegetação e o aumento das áreas de plantio, além de serem fontes na captação de água para o abastecimento de Paranaguá.

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A zona rural do município de Paranaguá abriga sete colônias agrícolas. Foto/ Rafael Pinheiro/JB Litoral

A Colônia Santa Cruz também tinha a captação de água para a cidade até os desastres ambientais de março de 2011, quando entrou em desuso devido à dificuldade de acesso ao local. Por isso, não conta mais com o abastecimento de água tratada, a captada é feita em cisternas, utilizando a água da chuva. O Morro Inglês é um local que possui alta produção de banana e uma população urbana com tentativas de implantação de empreendimentos.

AÇÕES PARTICIPATIVAS

O Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar do Paraná (Coopera Paraná) é uma ação do Governo Estadual com o objetivo de fortalecer as cooperativas para melhorar a competitividade e a renda dos agricultores familiares. O programa é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e prevê ações integradas entre o setor público e o privado, com acompanhamento e assessoramento às cooperativas em aspectos administrativos, financeiros, de comercialização e acesso a mercados, qualificação de dirigentes, técnicos e colaboradores da área administrativa, e implantação de políticas de apoio financeiro para investimentos socioprodutivos, e que garantam condições de sustentabilidade para a agricultura familiar.

De acordo com a Seab, outro programa que também incentiva os produtores rurais é o Compra Direta Paraná, o qual estava programado para ser lançado nos próximos meses, mas, devido à pandemia, começou a funcionar de forma emergencial. Ele promove a entrega direta de alimentos das cooperativas e associações de agricultores familiares para 907 entidades socioassistenciais em todo o Estado. Segundo a assessoria de comunicação da Seab, “os alimentos repassados pelo programa são fornecidos por 148 associações e cooperativas da agricultura familiar que se credenciaram por meio de edital de chamada pública. Ao todo, 12,5 mil agricultores estão envolvidos. A expectativa é de atender, pelo menos, 530 mil pessoas”.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, reconheceu a importância dos produtores rurais do Litoral do Paraná e deixou uma mensagem a todos aqueles que contribuem para o enriquecimento da região, “a agricultura familiar tem uma capacidade muito grande para encontrar alternativas produtivas, construir um espaço saudável e conciliar a produção com a preservação da natureza. Isso está evidente em Paranaguá, onde a população rural acumulou a sabedoria de 372 anos e produz alimento de qualidade, até mesmo em áreas de acesso difícil ou sujeitas à intempéries naturais. Parabéns a toda a população parnanguara e, sobretudo, aos agricultores, que cada dia mais comprovam sua força e contribuem para a grandeza do município, do Estado e do País”, declarou.

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Programa incentiva a entrega de alimentos das cooperativas de agricultores familiares para 907 entidades socioassistenciais no Paraná. Foto/Rafael Pinheiro/JB Litoral

A COLÔNIA

O termo Colônia, com a inicial da palavra em letra maiúscula, significa a extensão agrícola, onde os seus moradores, os colonos, foram assentados. Com o tempo, a região passou à categoria de vila e depois, cidade. Quando escrita com a inicial em minúscula, a palavra muda a definição e está ligada à propriedade territorial recebida pelo imigrante, cujo local ele vai morar, trabalhar e plantar o seu alimento. Dessa forma, uma Colônia pode ser formada de várias colônias.

O estabelecimento das Colônias era feito pela divisão das terras em colônias destinadas para a produção das famílias que não tinham lugar para plantar. No município de Paranaguá, a primeira Colônia fundada foi a Pereira, em 1875, pela empresa Colonizadora Pereira. O lugar possuía sessenta lotes, o que compreendia 18 quilômetros de terras restituídas, concedidas pelo governo imperial da época.

Especial 372 anos de Paranaguá