Professores fazem vigília em frente ao Palácio por definição sobre prova para temporários

Contratação pelo regime PSS tem sido usada para completar quadro deficitário, diz sindicato

por Redação JB Litoral
18/11/2020 12:46 (Última atualização: 1 semana atrás)

Protesto começou com marcha na manhã de terça-feira (17), mas manifestantes resolveram fazer vigília em frente ao Palácio depois de indefinição nas negociações. (Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato)

Por Amanda Yargas

A reunião realizada nesta terça-feira entre os profissionais da educação e o Governo do Estado não trouxe uma definição sobre a questão do Processo Seletivo Simplificado (PSS) para contratação de professores em regime temporário. Insatisfeitos, os educadores resolveram permanecer em vigília em frente ao Palácio Iguaçu para aguardar a resposta que o chefe da Casa Civil, Guto Silva, prometeu para esta quarta-feira (18). 

Atualmente são 20 mil professores na rede pública estadual contratados por meio do PSS. Este tipo de contratação é permitida na legislação para atender necessidade temporária, mas segundo a APP Sindicato, entidade que defende os trabalhadores da educação pública no estado, o formato tem sido usado desde 2005 para preencher o déficit provocado pela falta de contratação através de concurso público.

Neste ano o Governo mudou as regras para admissão de professores temporários e pretende aplicar uma prova. A categoria receia que isso possa causar danos em meio a pandemia, já que a estimativa é que haja 90mil candidatos que devem realizar as provas em 32 cidades do estado.

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Representantes dos trabalhadores da Educação e de povos indígenas se reuniram com Governo do Estado para pedir a revogação do edital PSS. (Foto: AEN)

Escolas Indígenas

Os protestos, que começaram já pela manhã com uma marcha dos educadores na região do Centro Cívico, contaram com a presença de povos indígenas de pelo menos três etnias, Guarani, Kaingang e Xetá.

Eles reforçam o movimento porque, ao contrário das regras antigas de contratação PSS, o novo edital não prevê a preferência de professores índigenas para as escolas localizadas nas aldeias.  Eles temem que isso coloque em risco a língua, a cultura e as tradições dos seus povos.

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O que diz o Governo

Segundo o Governo, um grupo de trabalho, com a participação das secretarias da Fazenda, Administração e Previdência, Procuradoria Geral do Estado, além da Casa Civil e da Educação, vai avaliar o pedido de cancelamento da prova.  Além disso, técnicos da Fazenda, da Casa Civil, juntamente com a APP-Sindicato, vão analisar a viabilidade das demandas em relação a questões orçamentárias.

O Governo do Estado também disse que a comissão permanente de diálogo com os servidores públicos, criada no ano passado, vai dar ênfase nas questões relacionadas aos contratos PSS, reforçando o diálogo com a categoria.

Ausentes

Além do chefe da Casa Civil, participaram da reunião o diretor-geral da Secretaria de Estado da Educação, Glaucio Dias, e o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Hussein Bakri.

A ausência do governador, Ratinho Junior, e do secretário da Educação, Renato Feder, na reunião foi interpretada pelo presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Silva, como descaso. “É um secretário que não participa dos debates, não compreende a pauta e finge desconhecer a realidades das nossas escolas. Uma equipe que não tem compromisso com a realidade da educação do campo, da cidade, quilombola, indígena. Não tem responsabilidade sobre a vida de professores, funcionários, pedagogos”.

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