PT faz formação e integração política no Litoral

por Redação JB Litoral
07/04/2014 00:00 (Última atualização: 07/04/2014)

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Exatamente 50 petistas de cinco das sete cidades do Litoral do Paraná participaram da primeira reunião de Formação Política dos dirigentes municipais, realizado no sábado (5), no Complexo Educacional Francisco Carlim dos Santos, em Matinhos.

O próximo evento será em Pontal do Paraná, no dia 10 de maio, com foco na organização partidária. O último será em Paranaguá, no dia 6 de junho, e vai tratar dos programas do governo federal do PT e discutir propostas para um governo petista no Paraná para o Litoral. Os locais ainda serão definidos.

O curso é promovido pelo Coletivo de Formação Política do Diretório Estadual, que tem dois membros do Litoral: Vanda Santana (Antonina) e Guilherme Zavataro (Guaratuba). Os dois trabalham em conjunto com as comissões executivas municipais e principalmente com as secretarias municipais de formação.

Além da qualificação dos dirigentes e militantes, a intenção é integrar os diretórios municipais e as propostas e lutas na região. Dos sete municípios do Litoral do Paraná, apenas Morretes e Guaraqueçaba não têm diretório formado. Este último já está organizando uma Comissão Provisória – etapa anterior à criação do diretório. Foram os dois municípios que não enviaram representantes ao primeiro encontro – no caso de Guaraqueçaba em virtude das dificuldades de transporte, feita basicamente por barcos.

História

No primeiro encontro, Matinhos teve 19 participantes, incluindo toda a Comissão Executiva, com um dos dois vereadores do PT no município, Marcos Podbevsek “Marcão”, que é o presidente municipal. Guaratuba compareceu com 13 pessoas, incluindo toda Comissão Executiva, e pelos menos dois filiados não membros do diretório. Pontal do Paraná compareceu com 10 membros da direção, incluindo a vereadora Cleonice Silva do Nascimento. De Antonina foram 6 e de Paranaguá dois, entre eles o ex-candidato a prefeito e pré-candidato a deputado estadual, André Pioli.

Na pauta estavam os 34 anos de fundação do PT e os 50 anos do golpe militar de 1964, com uma palestra do jornalista Roberto Elias Salomão. Antes, o deputado estadual pelo PT de Ponta Grossa, Pericles de Holleben Mello, falou sobre a conjuntura nacional e estadual. Ele relacionou diversas conquistas dos 10 anos de governo do PT no Brasil e as excelentes perspectivas de reeleição de presidente Dilma. Sobre o Paraná, fez duras críticas à gestão do governador Beto Richa e falou da situação eleitoral bastante favorável para o PT no Estado, com a chance da eleição da senadora Gleisi Hoffmann como governadora.

Antes da palestra, foi mostrado um vídeo com o ex-presidente Lula falando das comemorações dos 34 anos do PT e já conclamando a militância para as eleições deste ano.

Partido de massas

Salomão, autor do livro “Os anos Heroicos – o Partido dos Trabalhadores do Paraná do nascimento até 1990”, publicado em 2010, fez um paralelo entre a fundação do PT em 1980 com o Golpe de 64.

De acordo com o jornalista, a campanha da mídia conservadora contra as bandeiras das reformas de base do governo João Goulart que ajudaram a deposição do presidente pelos militares, é muito semelhante a que acontece agora em relação ao governo do PT.

A diferença, afirmou, é improbabilidade de um golpe militar hoje. Diante da dificuldade também de derrotar o governo do PT nas urnas em 2014, Salomão considera que a principal estratégia das elites econômicas, tanto na mídia quanto na campanha eleitoral que já se desencadeia, é encurralar o PT e fazer com que Dilma e o partido recuem nas políticas de avanços sociais.

Salomão também traçou um paralelo entre o presidente João Goulart e o Partido Comunista nos anos 1960, que, segundo ele, foram extremamente tímidos na ação política e na reação aos golpistas, com os dias de hoje. Ao falar da história petista, lembrou que o PT nasceu com uma proposta diferente das esquerdas tradicionais que se afastaram das massas.

Também lembrou os momentos em que o PT ficou isolado – na fundação – acusado de dividir a oposição –, na eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, na eleição pelo voto vinculado em 1982, e no Plano Cruzado. Na opinião do jornalista, o PT estava certo nas quatro ocasiões e mostrou isto com o tempo. De acordo com Salomão, o PT falha mais quando não vai à luta e não defende firme suas posições.

Para ele, diante da estratégia da oposição de difamar e emparedar o partido, a melhor reação é aprofundar a democracia e as políticas sociais.

Sem dogmas

Durante o debate com os participantes, uma das questões mais repetidas foi consciência da necessidade de uma volta às origens e às bases que fundaram o PT, com uma reaproximação dos movimentos sociais.

Nas perguntas da plateia e nas respostas do palestrante, implícita ou explicitamente, ficou demonstrado que duas características do PT permanecem. Se o partido foi fundado, como salientou Salomão, por sindicalistas, organizações de esquerda, intelectuais e comunidade de base da igreja católica e hoje tem em seus quadros até grandes empresários e onde os detentores de mandato têm o maior poder, o PT ainda conserva uma democracia interna maior que os outros partidos e, mantém o respeito à diversidade de opiniões.

Estas características do PT estão bem delineadas em trecho do discurso do crítico de arte e literatura Mario Pedrosa, filiado nº 1 do PT, no dia da fundação, no Colégio Sion, em São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980, trecho que abre o livro de Roberto Salomão e que o palestrante citou:

 “Vocês vão deixar todas as suas bíblias fora. Vocês vão entrar no PT sem bíblia, sem dogmas. Nos vamos todos aprender juntos um novo bê-a-bá.”

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