Restaurantes do litoral trabalham com política antidesperdício de alimentos

por Redação JB Litoral
18/11/2020 09:56 (Última atualização: 1 semana atrás)

Por Marinna Protasiewytch

A proporção da população que costuma ver sobras de comida no prato é muito maior do que aqueles que não têm o que comer durante dias. Esse problema grave evidencia a necessidade de programas e atenção para o desperdício de comida que, muitas vezes, poderia ser destinada para aqueles que não possuem meios de se alimentar.

Em Paranaguá, para Elis Mari da Rosa Zella, responsável administrativa da Doce Vida, restaurante que produz comida para empresas diariamente, ter noção da quantidade que cada um consome é uma das chaves para não desperdiçar alimentos. “A gente já tem uma quantidade certa e uma gramagem para enviar às empresas que nós atendemos. Mas o que sobra de resto de panela, de verduras, colocamos tudo em um recipiente separado e temos um parceiro, que vem uma ou duas vezes por semana, e leva todo esse material para a produção de lavagem para porcos. Nós também separamos o óleo, que será coletado e reaproveitado para fazer sabão, por exemplo. Tudo a gente organiza com o objetivo de reutilizar e aproveitar o máximo”, explica Elis.

Segundo dados do relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), um terço dos alimentos produzidos para consumo humano, aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, são perdidos ou desperdiçados entre o processo de lavoura até o fim da refeição, quando sobram no prato.

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Foto/Arnaldo Alves/AENPr

Observando esse problema mundial, mas que também atinge o litoral paranaense, a chefe do Departamento de Segurança Alimentar Nutricional (Desan), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcia Stolarski, explica que o governo do estado busca alternativas para conter a perda exacerbada de alimentos. “Nós estamos desenvolvendo um projeto em parceria com o governo federal, IDR, Fundepar, secretarias municipais e organizações envolvidas com o abastecimento das cidades. Estamos realizando a aplicação de questionários com essas instituições e nas escolas do litoral do Paraná e de todo o estado, para levantar o que se perde, para que a gente venha desenvolver protocolos minimizando as perdas”, detalhou Márcia, que ainda afirma que esse é o primeiro programa criado para esse tipo de conscientização no estado e, por isso, ainda não possui dados concretos.

Em Morretes, cidade conhecida por seu turismo à beira do rio e também pelos diversos restaurantes que servem o tradicional barreado, a estratégia é servir bem o cliente, mas observando o seu consumo para evitar o desperdício. “O que nós fazemos aqui é separar aquilo que sobra e, então, destinamos a um rapaz que leva para alimentar os animais. Mas nós servimos porções proporcionais. Por exemplo, o barreado levamos o pirão da cozinha já pronto. E fazemos como se fosse um espeto corrido, os garçons colocam um pouco de comida na mesa e se a pessoa quiser mais nós trazemos mais. E ainda, quando eu faço o barreado, uso no restaurante, mas também faço as porções congeladas para vender”, exemplifica Fábio Luiz Smanioto, proprietário do Hotel e Restaurante Nhundiaquara.

Lei nº 14.016/2020 (doação de alimentos)

Aprovada em 23 de junho de 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro, a Lei que estabelece a liberação de doação de alimentos para evitar desperdícios, já está em vigor. Com o objetivo de reduzir as dificuldades de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar, o Congresso e o presidente aprovaram o novo texto, que exime os doadores de qualquer fato ocorrido após a doação. No texto, os legisladores afirmam que “a responsabilidade do doador encerra-se no momento da primeira entrega do alimento ao intermediário ou, no caso de doação direta, ao beneficiário final”, ou seja, caso ocorra intoxicação alimentar ou outras nuances, os doadores não poderão ser processados, fato que ocorria e inibia as doações.

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