Rodovias paranaenses matam centenas de ciclistas por ano

por Redação JB Litoral
19/10/2020 09:41 (Última atualização: 19/10/2020)

Michelli e tantos outros ciclistas relatam o medo de pedalar na rodovia

Por Marinna Protasiewytch

Uma reivindicação antiga, mas que ganhou força neste ano, por conta da renovação das concessões de estradas no estado do Paraná, é o pedido de ciclistas e coletivos da modalidade por mais obras cicloviárias, com ajustes de espaço adequado para que possam trafegar em rodovias do estado. Segundo o coordenador da Associação CicloIguaçu, Fernando Rosenbaum, as autoestradas paranaenses trazem números fatídicos e que comprovam a necessidade de melhorias. “Para quem utiliza a bicicleta para trabalhar, ou como meio de locomoção, o estado do Paraná possui um ranqueamento que não podemos comemorar, somos o segundo colocado no Brasil que mais mata ciclistas. De 2018 para 2019 houve um aumento de 54% no número de mortes aqui no estado”, ressaltou Rosenbaum.

Número de óbitos preocupa

A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) realizou um levantamento sobre os números de mortes no país. Segundo ela, o Paraná é o segundo estado do país onde mais morrem ciclistas, ficando atrás apenas de São Paulo. No ano passado, foram 103 óbitos de ciclistas no Paraná, enquanto que em São Paulo foram 114.

O trecho entre Curitiba e Paranaguá é considerado um dos mais perigosos pelo alto tráfego de caminhões e pela preferência da rota por muitos ciclistas para passeios e treinos. “A BR 277 é uma das rodovias em que mais acontecem colisões. Além disso, nos primeiros quilômetros da BR, ainda em Paranaguá, quando a rodovia cruza os bairros, o número de acidentes envolvendo ciclistas dispara”, destaca Fernando Rosenbaum.

O que diz o usuário?

A ciclista Michelli Saif utiliza a bicicleta principalmente para lazer e percorre a BR277 no trecho do litoral do estado. Para ela, a rodovia não é segura e algumas mudanças precisam acontecer. “Já presenciei veículos entrarem no acostamento, uma vez derrubaram um ciclista e na outra um carro não deu sinal e jogou o ciclista para o mato”, contou Michelli.

Já Joceli Bertoja, utiliza vários trechos da BR277, tanto para trabalhar quanto para lazer, e afirma que a insegurança é o principal problema das rodovias. “No trecho entre Morretes e Paranaguá o medo é enorme, várias partes não tem acostamento adequado e a gente acaba ficando exposto a tudo”, declara a ciclista.

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Sobre mudanças, as duas são unânimes em dizer: é preciso consciência de todos e também a aplicação de estruturas pensadas para o ciclista.

Novas licitações nas rodovias

Empresas concessionárias por cerca de 2.500 quilômetros de rodovias no estado do Paraná possuem contrato até novembro de 2021. E é exatamente por essa mudança que ciclistas pedem que sejam incluídas obras relacionadas ao tráfego de bicicletas.

Atualmente, os 30 deputados federais e três senadores da bancada federal paranaense no Congresso Nacional defendem, de forma unânime, que o novo modelo das concessões do pedágio, nas rodovias estaduais e federais, tenha como ponto basilar o menor preço das tarifas e sem cobrança de outorga. A luta é pela diminuição do valor da praça de pedágios, mas o texto também poder ter incluída a proposição de obras obrigatórias relacionadas ao ciclismo.

A nova licitação, para a partir de novembro de 2021, prevê a concessão de 3.800 quilômetros de rodovias a empresas de administração privada, cerca de 1.300 quilômetros a mais do que os contratos atuais preveem.

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