Só 5% dos adolescentes brasileiros estão aptos a votar nestas eleições

por Redação JB Litoral
09/11/2020 14:41 (Última atualização: 09/11/2020)

Na capital paranaense mais de 60% dos entrevistados não sabia identificar nem a função da Prefeitura e nem da Câmara. (Foto: reprodução)

Amanda Yargas

Apenas 5% dos adolescentes entre 16 e 17 anos estão aptos a votar nessas eleições, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. O índice corresponde a cerca de um milhão de jovens brasileiros, metade do que havia nas últimas eleições municipais, em 2016, e a menor participação dos últimos 30 anos.

Para o doutor em Educação Histórica Daniel Medeiros, autor do livro “Um guia prático sobre Democracia para Jovens”, os adolescentes não se sentem incluídos na política, por isso a participação vem diminuindo. “Creio que a maior parte dos jovens não se interessa pela política, porque ela não se interessa pela maior parte dos jovens. Um dos fatores fundamentais da política é ouvir todos os que participam dela. Ter voz e exercitar a voz no espaço público. E boa parte das instituições, os partidos, a própria imprensa e as escolas, onde eles estudam, os ouvem muito pouco”, avalia.

Democracia

Ana Clara Cândido (17), moradora de Paranaguá, disse que a falta de credibilidade dos políticos a desanimou de votar. Ela acredita que a política não está aberta aos jovens porque “os ‘velhos políticos’ não querem sair de seus cargos e suas regalias, usam uma cadeira pública como carreira profissional, esquecendo que foram eleitos para legislar em benefício do bem maior, ou seja, do povo”. 

O professor considera que cidadania e democracia devem ser ensinadas desde a infância, principalmente pelo exemplo dos adultos. E que a atuação política, que inclui ouvir, debater, buscar persuasão, construir maiorias, aprender a perder e a vencer, faz parte do aprendizado. “Nós não podemos esperar que eles se tornem adultos completamente alienados das grandes questões públicas e daí entregar para eles o bastão e dizer: agora é com vocês. Então não há dúvida de que se nós queremos que haja um futuro para a política, para a democracia, é preciso envolver o jovem o máximo possível”.

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Voto

Votar é parte do processo democrático e, ao passo que muitos consideram que os jovens não têm o conhecimento necessário para fazer uma escolha consciente nas urnas, o educador analisa que eles estão em pé de igualdade com o restante da população. Isto porque, de acordo com um conjunto de dados coletados pelo Instituto Sivis, que analisou o Índice de Democracia Local em Curitiba e em São Paulo, na capital paranaense mais de 60% dos entrevistados não sabia identificar nem a função da Prefeitura e nem da Câmara Municipal. Mesmo assim, apenas 0,3% disse não ter certeza sobre as atribuições do órgão executivo, mostrando que não há percepção a respeito da limitação do conhecimento político. Então, o educador reforça que a participação democrática e o voto, mais do que um direito do cidadão, é uma responsabilidade. “Eu diria que todo o brasileiro que entende que o seu voto vai ser fundamental para as políticas de saúde pública, de educação, segurança, mobilidade, as políticas de compensação social, como a luta para acabar com a miséria, erradicar a fome, todo mundo que tem consciência deveria ter a obrigação de votar, mesmo que não seja obrigatório na sua idade”, frisou.

E como formar cidadãos mais conscientes e participativos no processo democrático? Medeiros diz que é preciso comunicar-se com a juventude usando a linguagem própria da idade deles. “Há uma necessária e urgente tradução de termos com os jovens. É preciso abrir-se para essa linguagem e, ao mesmo tempo, oferecer a linguagem dos adultos em uma troca. Eu tenho certeza que no momento em que os jovens se sentirem ouvidos eles vão falar. E no momento que eles falam, que eles propõem, aí sim, tudo se abre para a política”.

Ana Clara concorda que os jovens deveriam ser mais consultados, convidados a fazer parte do processo da política. “A experiência e a jovialidade, trazendo leveza e boas ideias, seria o ideal para se começar uma melhora na política nacional”, conclui.

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