Tradições tornam Guaratuba ainda mais atrativa nestes 249 anos

por Maisy Pires
29/04/2020 11:42 (Última atualização: 29/04/2020)

Foliões da festa do Divino. Não há informações sobre o ano em que a foto foi tirada. (Foto: Arquivo/Julio Castro)

Nesta quarta-feira (29) Guaratuba comemora 249 anos de muita história e tradições que se mantém vivas até os dias de hoje. Entre elas, a Festa do Divino Espírito Santo, que acontece desde sua fundação, o ‘Vapor São Paulo’, um navio que encalhou na praia de Caieiras, em 1868, além dos corpos enterrados na igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso. E, como a maioria das cidades litorâneas, há muitas lendas e histórias de pescadores. 

Festa do Divino Espírito Santo 

A reportagem do JB Litoral conversou com a secretária municipal da Cultura e do Turismo, Maria do Rocio Bevervanso, que contou a origem da festa do Divino Espírito Santo. “A festa teve início já na fundação da cidade, em 1771, quando as pessoas vinham das comunidades rurais para participar da Festa utilizando uma canoa enorme. Eram três dias de comemoração, com um baile na casa de um devoto e as novenas. Além disso, acontecia um leilão de animais como porco, pato e produtos agrícolas, cujo dinheiro era revertido para igreja”. 

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Rocio é apaixonada pelas histórias do município. (Foto: Maisy Pires/JB Litoral)

Ela conta que a festa começou a crescer a partir de 1995 e passou de três para 10 dias de duração. “Em 1995 a festa foi tomando uma proporção gigantesca, então foi feita uma lona de circo na praça e a festa passou de três para 10 dias. A data é definida conforme o calendário escolar, nas férias de julho, e acaba atraindo os turistas”. 

De acordo com Maria, a festa deste ano foi cancelada devido a pandemia da Covid-19 (coronavírus).

Romaria 

Segundo a secretária, antes a data histórica é precedida por uma romaria. “No dia 3 de maio uma bandeira vermelha, do Divino Espírito Santo, e uma branca, da Santíssima Trindade, saem em romaria pela área rural, retornando 15 dias depois com o objetivo de divulgar e convidar os devotos. Os homens que conduzem as bandeiras são chamados de foliões do divino”explica.   

Atualmente a romaria conta com apenas três foliões. “Antigamente tínhamos o grupo do Divino e o da Santíssima, mas pelo decorrer do tempo as pessoas foram envelhecendo e, atualmente, não temos mais. Hoje, são três foliões que carregam instrumentos rústicos, rabeca, tambor e viola, confeccionados por eles”.  

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Navio ‘Vapor São Paulo’ 

Maria do Rocio contou também a história do navio ‘Vapor São Paulo’ que encalhou na praia de Caieiras, em 1868. “Partes do Vapor São Paulo ainda estão na praia e, no mês de agosto ou quando a maré está baixa, é possível ver”. 

De acordo com a história, o navio pertencia ao comandante Jacinto Ribeiro do Amaral, marido da compositora Chiquinha Gonzaga. “Segundo a história, o navio encalhou quando voltava da Guerra do Paraguai, tinha mais ou menos 600 pessoas a bordo e diz que houve uma morte. Hoje dá para ver o que sobrou dele”, disse Maria. 

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Corpos enterrados na igreja  

A igreja Nossa Senhora do Bom Sucesso, localizada na área central,  foi a primeira construção da cidade e acolheu corpos dos guaratubanos por 86 anos. “Como não havia cemitério na época, durante 86 anos a igreja, além de reunir os fiéis, serviu como um cemitério. Construída com recursos escassos, ela ficou sem forro e assoalho, e o chão de terra batida facilitava os sepultamentos no local. Em 2014, quando houve um restauro, a nossa preocupação foi preservar a história. Colhemos toda a ossada, o Padre Francisco fez um cerimonial e a deixamos embaixo do altar. Além disso, tomamos o cuidado de deixar uma tábua solta para que as pessoas possam levantar e constatar o fato. Os restos mortais podem pertencer a um dos casais fundadores de Guaratuba, da família Miranda Coutinho, que deixou em testamento como seu último desejo serem sepultados naquele local”, contou a secretária. 

Entre tantas histórias, passear pelo município é viajar no tempo e ter a certeza de ver o quanto é linda e, culturalmente, enriquecedora. 

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