Um ano perdido na educação em função da Covid-19

por Redação JB Litoral
29/06/2020 10:53 (Última atualização: 30/06/2020)

Bandeira de campanha do presidente Jair Bolsonaro, o “homeschooling”, importado dos Estados Unidos da América (EUA) e no Brasil virou ensino domiciliar, com direito à tramitação de projeto de lei desde 2019, com a pandemia do coronavírus, vem se mostrando extremamente ineficiente e perigoso.

Atento à situação da rede de ensino pública e privada, instalada desde março, com crianças e adolescentes, sendo obrigadas a estudar em casa, por meio da internet e TV, o JB Litoral trouxe um panorama, até o momento, que preocupa, não só estudantes e familiares, como os profissionais da educação.

A reportagem mostra o quadro instalado e os números informam o quanto a novidade educacional é deficitária, inclusive na questão social, e a porcentagem nas escolas é cruel e realista, pois em bairros carentes a adesão ficou bem abaixo da média e, nos tidos como nobres, não se chegou ao 75%. Na Ilha dos Valadares, que é maior que diversas cidades do Paraná, não se chegou a 60%.

Diferente dos argumentos do presidente da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), Ricardo Dias, que alardeou que, mais de sete mil famílias brasileiras ensinaram seus filhos em casa em 2018, os números se provaram desfavoráveis a sua implantação.

Afinal, o que são sete mil famílias, num país que passa de 210 milhões de habitantes, média de mais de 52 milhões de famílias?

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Nesta reportagem, feita pela nossa equipe, a adesão dos alunos se equiparou com a questão social das escolas onde se encontram. No colégio São Francisco, que abrange bairros como Emboguaçu, Vila Primavera, Vila do Povo, Santa Cecília e Vila São Carlos se chegou apenas a 30%.  

Além da questão pedagógica, o ensino on-line vem influenciando até mesmo no perfil psicológico de muitos estudantes. A pedagoga especialista em psicopedagogia, Renata Ribeiro, ressalta que pesquisas já comprovaram que o isolamento social e a pressão ao estudar de forma on-line ou remota, está causando perturbações como ansiedade, depressão e estresse.

Agora cabe aos governantes e políticos refletirem a respeito desse assunto.